Tiros lunares e apagões

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Os EUA colocam homens na Lua.

No entanto, não conseguimos enviar um sinal para Teerão.

Três meses desde que os EUA e Israel abriram fogo e a guerra começou. Nenhum fim claro. Apenas caos, confusão e uma ressaca económica que poderá durar anos. Os piores sofredores? Iranianos. As vozes das quais menos ouvimos. Por que? Um apagão nacional da Internet. Não há imprensa livre. Quase nenhum correspondente estrangeiro ficou lá dentro.

Jason Rezaian sabe. Em 2014, o regime iraniano prendeu-o por espionagem. Dois anos de prisão antes de uma troca de prisioneiros o mandar de volta à custódia dos EUA. Hoje ele lidera iniciativas de liberdade de imprensa no The Washington Post. Ele concordou em conversar. Não sobre diplomacia, mas sobre a realidade brutal para 93 milhões de pessoas que vivem no raio da explosão.


A Parada Frágil

“É realmente tão simples colocá-los online novamente? Não. Mas não estamos tentando.”

O cessar-fogo parece tênue. Trump poderá parar de fazer greves, mesmo porque os eleitores americanos odeiam os problemas económicos. Mas Israel? Netanyahu vê luz verde.

Aqui está algo que ninguém em Washington parecia compreender. Matar o Líder Supremo nunca foi suficiente. O regime não é um castelo de cartas. É uma teia emaranhada de negociação de cavalos, disputas de poder e armas. Décadas de conflito interno ensinaram-lhes como absorver golpes. Quando os EUA eliminaram os altos escalões no início deste ano, os analistas sussurraram sobre uma revolução. Eles estavam errados.

O povo permaneceu em silêncio.

Desarmado. Desconectado. Faminto de informação. O acesso à Internet é oxigênio agora. Se você cortar o cordão umbilical, você cortará a coordenação. No entanto, os EUA gastaram milhares de milhões em mísseis em vez de feixes de satélite. Starlink existe. Existe tecnologia direta para a célula. Mais barato que as bombas. Mais inteligente que o apagão.


Sem plano. Apenas bolas de futebol.

Houve esperança, uma vez.

Em Fevereiro, quando as greves começaram, os iranianos saíram às ruas. Protestos que pareciam monumentais. Então veio o contra-ataque.

Trump afirmou que apoiou os manifestantes. Uma boa ideia. Ação oca. Sua proibição de viagens ainda impede estudantes iranianos de frequentarem universidades dos EUA. Como você apoia a sociedade civil e ao mesmo tempo barra suas mentes mais brilhantes?

O objetivo permanece confuso. Washington e Tel Aviv dizem que partilham uma estratégia. Eles não. A política dos EUA em relação ao Irão muda a cada eleição. Uma bola de futebol política, jogada de um lado para o outro.

Lembram-se dos relatos de que os EUA queriam libertar Mahmoud Ahmadinejad da prisão domiciliária para liderar um Irão pós-regime?

Quixotesco. Absurdo.

Se esses fossem os planos, não havia nenhum plano. Apenas improvisação. Apenas barulho.


A vista de dentro

Rezaian estava lá dentro.

Acusado de espionagem. Realizado por 544 dias. Ele conhece a capacidade do regime para o caos. Não é um tigre de papel – mantém-se firme, mas luta de forma assimétrica. Quando forçado a uma guerra convencional, ele desiste. Contra o hardware dos EUA? Eles não podem competir.

Mas contra seu próprio povo? Outra história.

Desde 2009 – o Movimento Verde – sempre que os iranianos escolhem reformadores, Washington intervém. Sanções. Ataques cibernéticos. Ameaças militares. Cada movimento zera o relógio em andamento. Em 2001, Rezaian visitou um Irão prestes a abrir-se. Em 2024, essa janela se fechou.

Hoje? Quase zero correspondentes estrangeiros.

Deepfakes inundam as redes sociais. A desinformação vence. Um telespectador americano assiste às notícias sem contexto e vê apenas neblina. Compare-o com Gaza. Para a Ucrânia. Lá, a informação flui, aqui ela estagna.

Rezaian fala claramente: Os EUA têm poder brando. Influência cultural. Recursos. Poderíamos ter apoiado a aspiração de mudança. Escolhemos greves.

A guerra continua.

O apagão persiste.

E a questão permanece, sem resposta por parte de oficiais ou soldados: se podemos conquistar o espaço, por que tememos a verdade?