Como o Manchester Mill Job de Engels financiou a teoria radical de Marx

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Friedrich Engels não escreveu apenas sobre o capitalismo. Ele trabalhou dentro dele.

Entre 1842 e 1844, atuou como aprendiz administrativo em uma fábrica de algodão em Manchester, Inglaterra. A empresa era copropriedade de seu pai. Foi uma introdução cansativa à mecânica da produção industrial. Ele viu as condições em primeira mão. Ele viu como a maquinaria consumia tempo e carne.

Ele foi embora. Mas o dinheiro não se importa com ideologia.

Em 1850, Engels voltou relutantemente aos negócios da família. Por que? Para se sustentar. Mais importante ainda, apoiar Karl Marx. Marx foi o brilhante colaborador intelectual que não podia — ou não queria — trabalhar num emprego tradicional. Engels voltou ao moedor para manter Marx alimentado, alojado e escrevendo.

Este não foi um favor passageiro. Foi uma tábua de salvação estrutural.

Engels acabou se tornando sócio da empresa. Ele não apenas marcou o ponto; ele possuía patrimônio. Então, em 1869, ele vendeu sua participação. Essa saída proporcionou o capital de que ele precisava para viver confortavelmente pelo resto da vida.

A crítica radical do capital foi financiada pelo próprio capital.

Pense nessa compensação. Muitas vezes separamos a teoria da conta bancária. Tratamos O Manifesto Comunista como se ele flutuasse dos céus. Não aconteceu. Foi impresso em papel pago pelos lucros de Engels provenientes da indústria têxtil britânica.

Qual mecanismo financeiro sustentou a parceria Marx-Engels?

O mecanismo específico foi o capital privado numa empresa industrial de meados do século XIX. Engels aproveitou a participação existente da sua família para gerar rendimentos. Quando vendeu a sua parte em 1869, converteu essa valorização do trabalho e do capital a longo prazo num montante fixo. Isso permitiu que ele se aposentasse da rotina diária da administração, mantendo um padrão de vida confortável.

Sem essa venda, as obras posteriores de Marx poderiam ter parecido muito diferentes. Ou eles podem nem ter existido.

Gostamos de imaginar revolucionários famintos em sótãos, puros na sua pobreza. Mas Marx tinha um patrono. E esse patrono estava enriquecendo com o mesmo sistema que tentava desmantelar.

Isso invalida a teoria? Não. Isso apenas torna tudo mais complicado. Isso nos lembra que as ideias precisam de infraestrutura. E a infraestrutura custa dinheiro.

Engels conhecia os números. Ele conhecia as margens. Ele sabia exatamente quanta mais-valia estava sendo extraída dos trabalhadores daquela fábrica de Manchester. Ele não estava adivinhando. Ele estava gerenciando isso.

Essa proximidade com o dinheiro mudou a forma como ele escrevia. Isso deu ao seu trabalho um peso concreto e operacional que muitas vezes falta aos filósofos puros. Ele não apenas observou as engrenagens da indústria. Ele segurou a chave inglesa.